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O Desabafo de um Sambista

Posted in metamorfosesocial with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 09/02/2010 by Luã Gabriel

Mais um ano chegando e junto com ele a magia do Carnaval, festividade em que no Brasil iniciou nas casas-grandes, onde barões e baronesas dançavam de modo comportado e se divertiam com as mascaras Venezianas. Herança tipicamente Européia que chegava nos trópicos. Os negros, nas senzalas na tentativa de se divertirem procuravam imitar, porém, agregando os valores e danças Africanas. Dois paralelos que se mantém até os dias atuais.

Em Santa Maria de Belém do Grão-Pará, este paralelo é visivelmente apresentado nos glamorosos bailes fechados de carnaval em oposição aos desfiles das escolas de samba e blocos pelas ruas de Belém. O samba, principal melodia nesses espaços distintos, só pôde adentrar aos espaços fechados após a sua popularização na década de 50, no entanto, antes disso era imoral, onde os negros se requebravam, enroscavam e umbigavam-se. Hoje o samba é patrimônio, produto. Mesmo não sambando ou não gostando de sambar o brasileiro o vende no exterior.

Agora voltando ao assunto dos bailes fechados e abertos, noto com um certo pesar o quanto nossa cultura popular é descartada, desvalorizada, ignorada por algumas pessoas em nossa cidade, igualmente aos tempos anteriores à década de 50. Preferem o glamour, somente o Rainha das Rainhas. Puro preconceito, despeito. Mas na verdade o Samba, o carnaval e a cultura popular devem ser aplaudidos por resistirem. “Você não samba, mas tem que aplaudir”.

A verdade é que apenas vivendo e desfrutando da cultura popular é que nos apaixonamos pra valer, independente de cor, classe ou gênero. Por isso, antes de agitar, use. Viva o Carnaval e a Cultura Popular.