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Protagonismo Juvenil: para além de palavras

Posted in metamorfosesocial with tags , , , , , , , , , , , on 24/03/2009 by Luã Gabriel

Protagonismo Juvenil: para além de palavras[1]

Luã Gabriel dos Santos[2]

 

Faz algum tempo que o tema juventude vem ganhando bastante destaque nas discussões da sociedade civil organizada e do Estado. Isto se deve, a priori, pelo expressivo contingente ocupado por esta parcela da população, onde só no Brasil representa 27% (mais de 50 milhões de pessoas)[3], e também pelas vulnerabilidades que crescem a cada dia e que esses jovens enfrentam cotidianamente, como o aumento nas taxas de desemprego, da violência, das drogas, da marginalidade, dentre outras calamidades sociais.

Mas a juventude não deve ser identificada, nem classificada apenas como problema social. Para desmistificarmos este fenômeno, muitas vezes comum, é necessário inicialmente compreendermos o que de fato representa juventude.

Num primeiro momento, é importante deixarmos claro o quanto é complicado conceituar em termos etários a juventude. Sabe-se que juventude é o processo de transição da infância para a fase adulta, ou seja, do momento em que advêm as alterações fisiológicas até a maturidade social[4], onde ocorrem inúmeras mudanças psíquicas, físicas, bioquímicas, intelectuais e sociais. Porém, é importante destacarmos que neste período de constantes modificações nem todos os jovens percorrem o mesmo caminho[5].

São vários os autores que afirmam não haver uma única juventude, mas juventudes[6], no plural mesmo. Isto significa dizer que juventude representa, antes de qualquer coisa, uma enorme diversidade heterogênea, definida e caracterizada de acordo com as diferentes situações, vivências e referências presentes no contexto em que vive cada jovem.

A partir desta multiplicidade que representa a juventude, não podemos deixar de considerar a importância histórica deste segmento para a efetivação de mudanças políticas e sociais em todo o mundo.

É justamente este papel transformador e pró-ativo na busca por soluções aos diversos problemas que damos o nome de protagonismo juvenil[7]. O jovem protagonista é aquele que ocupa lugar de destaque em uma ação ou iniciativa de sua comunidade. Ou seja, o jovem como agente responsável por uma ou pelo conjunto de ações locais.

Dessa forma, podemos traduzir o vocábulo protagonismo juvenil, também, em outras palavras como autonomia, participação e cooperação. Logo, faz-se inevitável o reconhecimento da participação da juventude como elo transformador e essencial para a promoção do desenvolvimento local.

Este desenvolvimento ao qual falamos, não pode ser entendido somente como fator econômico, mas acima de tudo como uma nova proposta de desenvolvimento, mais responsável, humano, social e sustentável[8]. Neste sentido, para que de fato seja possível a construção desse novo desenvolvimento, a participação de atores sociais estratégicos, como a juventude, é de extrema importância.

Assim, para construir uma nova sociedade, mais justa e solidária, nada melhor do que considerar a juventude, sua autonomia e criatividade, como chave para a construção deste desenvolvimento local. Para isto dar certo, não basta o jovem participar apenas como uma imagem simbólica, decorativa ou manipulada. O jovem deve participar como protagonista no desenrolar desta história, do início ao fim.

 


[1] Artigo escrito para cartilha do projeto Rede Amazônica de Protagonismo Juvenil sobre a metodologia DELA – Desenvolvimento Local Amazônico

[2] Acadêmico de Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará, Gestor de Programas e Projetos pela ONG Argonautas Ambientalistas da Amazônia e Coordenador do Projeto Rede Amazônica de Protagonismo Juvenil.

[3] IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2005 – v.26. Rio de Janeiro: IBGE. 2005.

[4] UNESCO. Políticas Públicas de/para/com Juventudes. Brasília: Unesco. 2004.

[5] Ibidem

[6] Ibidem

[7] COSTA, Antônio Carlos Gomes da. O Adolescente como Protagonista. Disponível em <http://www.lead.org.br/article/view/393/1/186&gt;. Acessado em 08/01/2009.

[8] FRANCO, Augusto de. Pobreza & Desenvolvimento Local. Brasília: AED. 2002

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